quarta-feira, 1 de dezembro de 2021
Angélica, a Marquesa de Anne e Serge Golon
Alguém não gosta da vida?
Blog virou cringe
Na onda do "mds" ou "pvt" ou "lol" parece que escrever muito é démodé. O tempo do ler e escrever foi substituído por ouvir e assistir. O mundo virtual foi invadido pela vida audiovisual.
Tudo bem. Não sou saudosista.
Mas certas coisas não podem ser escritas em 150 caracteres e sou assumidamente contra a divulgação da minha imagem. Mas isso é um traço de personalidade que nem toda experiência tictociana conseguirá mudar.
Não sou cringe. Sou velha demais pra isso. Tenho quase 50 e poderia ser mãe de um Millenium, na verdade. Mas não sou também. Então, só os compreendo teoricamente ou por amigas ou terapeutas.
Mas não é sobre isso.
Hoje quis fazer um blog.
Enquanto penso sobre o blog e o que quero deixar registrado nesse mundo esquisito pra ninguém ler me veio o nome do Blog: ALGUÉM NÃO GOSTA DA VIDA?
Essa frase me faz pensar sobre tanta coisa.
Daria um podcast, mas eu quero mesmo é escrever.
Para ninguém, mas escrever
domingo, 24 de maio de 2020
Notas do Caminho
sábado, 21 de julho de 2018
Lá Land... não existia, afinal.
Assisti recentemente e sem ter lido nada sobre o filme, me joguei na trilha maravilhosa, nas cores, na fotografia, na atuação.
Um belo filme de sessão da tarde em um sábado à noite.
E não era sobre isso, afinal.
Não era um filme sobre o amor, era um filme sobre o sucesso. Sorte no jogo, azar no amor? O que falar de casais que se anulam e que para seguirem sucesso precisam se separar?
A verdade é que não prestei muita atenção ao filme até os seus momentos finais quando você descobre que o final feliz não envolve a felicidade de todos os ângulos.
Apesar da clara homenagem aos filmes dos anos de 1950/1960 com um figurino e cores fortes quase como uma animação, não é absolutamente óbvio e nem clichê. E a última cena nos faz pensar exatamente isso: é assim mesmo.
Mas estão todos felizes, todos realizados e mesmo assim não é o tipo de final feliz que tinhamos em mente.
Então, agente saca, como sacou em Frozen ou em Moana (eu tô falando de Disney? É, estou): o mundo não é mais tão simples, por que seriam os filmes.
Os celulares nos lembram no filme que apesar de Mia e Sebastian estarem bailando pela cidade com uma orquestra que sai das nuvens como mágica, eles não estão no mesmo tempo que Gene Kelly e Debbie Reynolds, nem no mesmo contexto. Não há mais Guerra Fria e nem dois lados da moeda. Nem há mais moeda. Há indvíduos em suas individualidades tentando sobreviver.
É disso que se trata sobrevivência. Pura e simplesmente.
O filme todo é a sequencia final. Tudo o que antecede é uma imensa e bela introdução. Pra que se entenda que, afinal, final feliz tem mais de uma dimensão e mais de uma perspectiva e que o jogo pode virar em apenas um beijo.
terça-feira, 15 de maio de 2018
Um estudante entre estudantes
O filme é uma produção... tendo...como protagonista no papel de Chano e ...no papel de... e no papel de ... Um elenco de atores e atrizes tentam retratar o cotidiano de uma universidade na cidade espanhola de...
"Não sei como começou"
E uma linda canção executada por um violisnista nos leva ao "novo lar" de Chano e seus colegas de curso
Aula Magna, inscrição, primeiro dia de aula, grupos de trabalho, atividades extra-curriculares e, claro, festas. Tem aluno relapso, amores, decepções, dramas, alegrias. Tudo isso num universo jovem e adulto próprio do espaço representado.
A velhice aparece em dois contextos: o zelador e O estudante, título do filme. É o filme é sobre Chano e sua aventura na volta aos bancos escolares no universo do ensino superior. O que chama mais atenção no início do filme é a disposição de Chano de se conectar com os alunos mais jovens. Seja na música, na dança, nas atividades de socialização, nas aulas, nas expressões verbais e não-verbais típicas desse grupo de humanos. Mas essa é uma disposição em mão dupla. E isso é bom.
Há várias pequenas tramas se desenvolvendo enquanto vemos o caminho de Chano na busca por sua educação superior.
"Certas coisas não deveriam mudar, como os clássicos que nunca mudam"
Outro destaque importante é que os personagens - jovens, adultos e idosos - são apresentados a partir de várias dimensões de personalidade não caindo num generalismo muito comum quando focamos, em um filme, num lugar específico do desenvolvimento humano. Ainda assim, é na tentativa de evidenciar diferenças há cenas em que esse mundo idílico de "antigamente era melhor" torna-se meio caricato sempre idealizando o velho como sábio e o jovem como aprendiz. Ou como protetor, como na cena em que ele defende a honra da estudante grávida do professor de Literatura ou como se ocupa de ensiná-losMas não tira o mérito da discussão sobre as relações entre as faixas etárias apresentadas no decorrer do filme.
" As grandes obras estão cheias de sabedoria (cena do café onde eles treinam D. Quixote)
Uma nova dinâmica de saber é apresentada na interação entre jovens e idoso, entre adultos e jovens entre jovens e adultos e entre idosos e idosos. A relação com as crianças é sempre a mesma: curiosidade, alegria, aceitação, imaginação.
" Chano nós viemos aqui por que queremos que vocês nos ajude"
Sabedoria, experiência, conhecimento prévio e, de repente, Chano dirigia os jovens no Palco e na vida
" Façam o favor de colarem as suas máscaras e sejam o que quiserem ser"
Amante apaixonado, cantor romântico, estudante exemplar, amigo de todas as horas, namorado ousado, namorada recatada. O que quiser. A vida vai dizendo e eles vão respondendo dentro do filme que traz um cotidiano, perceptivelmente, temporal. Idosos em um mundo de jovens. Convivendo. Com amores e dores, como a rosa caída ou o choro solitário nos lembra quem nem sempre é possível colocar a máscara.
E aí, apesar de tudo, tudo muda. Como sempre.
A morte ronda o desenvolvimento humano. É parte doa cordo com a vida. Mas, sem dúvida, ela ronda mais fortemente o universo do idoso e isso é trazido em dois momentos
"Rapazes, vamos tocar como nunca por que, quem sabe, essa é pode ser a última vez"
" Abra a cabeça deles para que não sejam egocêntricos, ensine-os a amar"
Com muitas frases de efeito e bastante moralista sobre escolhas e modos de vida, ainda assim é um excelente oportunidade para pensar o nosso lugar no mundo enquanto aqui estamos.
O zelador se torna Diretor da peça e o filme só mostra a performance deste e não a do professor. Enquanto Chano ajuda
O filme é sobre como podemos aprender a amar. E um aprendizado a ser ministrado pelos mais velhos aos mais novos e além dos muros de uma educaçaõ superior.
Pessoalmente, não acho que possamos pensar de forma tão definida quem educa quem.
Mas é uma ficção e só funciona aqui como ponto de reflexão sobre esses encontros de gerações que nos dizem que somos uma humanidade em desenvolvimento. Todos aprendendo com todos o tempo todo.
É romântico, é bobo, mas convida à reflexão, Vale assistir e pensar sobre quem sou nessas relações e pra onde vou.
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
A caixa
Eu sei o que é. Sei até o que tenho que fazer. Não é fisico, nem mesmo mental. É emocional. Mas não tenho como mudar isso, nem fazer desaparecer, nem transformar. É como uma caixa muito, muito, muito pesada que não consigo erguer. E eu precisaria erguer para que alguma mudança no meu humor, na minha esperança, na minha perspetiva mudasse. E então você me diz: "alguém pode lhe ajudar a erguer". É, pode. Algumas pessoas já quiseram, mas o problema é que ela é muito, muito, muito pesada e no meio as pessoas pensam "pq vou ficar me esforçando tanto? Tenho minhas próprias caixas pra erguer" E me deixam com a caixa muito, muito, muito pesada. E seu peso me faz derrubar a caixa e eu caio junto com ela. No chão eu penso que o melhor é deixa-la lá mesmo pelo menos se não tentar ergue-la posso ficar de pé, ao lado da caixa muito, muito, muito pesada. Melhor triste do que caída.
terça-feira, 11 de julho de 2017
Layla e eu
Este blog é para mim. Apesar de supostamente ser um blog sobre cinema e literatura, ele não é convencional. Aqui minhas impressões vem do que vejo e leio e, portanto, do que a juventude convencionou chamar de spoiler. Não acredito que alguém vá lê, mas para evitar quaisquer paranoias nesse sentido já vou dizendo: conto aqui começo, meio e fim do filme Tempestade de Areia.
quarta-feira, 22 de março de 2017
Uma (s) mulher (es) e tanto 2
Escritores da Liberdade, estrelado por Hillary Swank, em um ano que ainda preciso ver ;), é baseado na história da professora de Lingua Inglesa Erin Gunwell e sua chegada na escola (cujo nome não lembro) em Long Beach. Uma escola que sofre os efeitos de uma reforma que propõe a integração regional como forma de dirimir as diferenças. Algo que já é nos é mostrado no inicio do filme ao sermos apresentados às seçoes com a qual sao divididos os espaços fisicos no patio. E eles não se misturam: latinos, negros, asiaticos. Cada um no seu quadrado. Mas ela acredita na integração e esse esforço dela é aindq maior por ser uma das poucas na escola.
Seu universo de atuação é do pedagógico. Textos mais de acordo com a realidade, forçar a reorganização do mapa de sala, postura e roupas vão sendo modificadas para criar empatia consigo e com a aprendizagem.
Mas o mundo os convida a outras coisas e a vida deles é nas tribos. Como pensar o universo formativo integrador dentro dos limites de um ambiente violento, sectario, corporativista (sim, pq nao?) onde o silêncio é proteção, é arma, é marca de uma população oprimida num sistema meritocrático que desintegra e promove isso. Racismo, intolerância, falta de oportunidade em um salve-se quem puder que de tão cotidiabo soa normal.
"Fechem os livros"
E ela descobre que os limites não são apenas económicos e pedagógicos, são culturais, são sociais. Ela não sabe onde moram, como vivem, quem são. E pra eles, ela não faz sentido, escola não faz sentido
"Por que vc deveria ser respeitada? Por que vc é professora?
"O que vc tem pra mim?"
" O que é Holocausto?"
Eles vivem um holocausto e nem sabem o que é. O choque de culturas é uma chacoalhada na pedagogia da moça. Sua tentativa ainda é pelo conhecimento, mas sem apoio ou crença da escola, ela faz algo que não deve ser exemplo: ela assume as contas da educação desses meninos bancando materiais, passeios, livros.
Mas há uma percepção aqui: é preciso conhece-los, que eles se conheçam a si e também uns aos outros. Faze-los ver quantas semelhanças têm, mais do que suas diferenças étnicas. O jogo da linha é um reconhecimento de si, mas tb do outro. E cria a empatia necessária ao aprendizado e a socializaçao na sala de aula.
E entao os diários.
"Todos tem uma história"
As escritas de si assumem uma proporção inesperada ao irem alem de um movimento em torno do aspecto pedagógico de faze-los treinar a produção escrita. Aparecem como uma projeção de si e mais de si no mundo em que vivem. Permitem repensar valores, se são seus, do seu povo ou do povo do outro lado do bairro, da rua, do pátio.
E ela e nós vamos sabendo de suas histórias.
Ela promove uma libertação dos efeitos de uma vida socialmente limitada e demarcada pela cor da pele. E isso como prática tem efeitos importantes na vida de cada um e na dela tambem. Por que se tem uma coisa que esse filme nos ensina é em como as escritas de si podem ser um componente formativo dos mais poderosos.
Isso tudo tem um custo, claro. Há perdas no processo. Mas há ganhos. E nessa contabilidade, o ganho da libertação é o melhor custo-benefício.
Como Nise, Erin acreditou numa ideia e correu atrás pra cuidar melhor dos seus alunos, da forma que acreditava ser melhor. O que essa história nos inspira, como em O coraçao da loucura, e saber que pessoas boas existem e que elas continuam a fazer o bem, no matter what. Isso nos dá esperança.
sábado, 18 de março de 2017
Capítulo 1?
Tudo que ela queria era que o tempo passasse e que sua penitência fosse cumprida. E aí, quem sabe, pudesse ser livre. Escolhas erradas se aplicaria se tivesse sido uma escolha. Mas não foi. Nunca foi uma escolha. Uma fatalidade? Não sei se era um nome apropriado. Talvez não existisse um nome ainda. Talvez Camões e Shakespeare. Tudo isso pensava em meio aos gritos e birras do filho de 06 anos para quem todos olhavam naquela sala de laboratório, enquanto três enfermeiros o seguravam para fazer um exame de rotina. Por que crescera tanto? Nota mental: não transar com homens de mais de 1,80. Era pequenina e delgada. Não tinha mais que 1,60 em 53 kgs bem distribuídos em seios pequenos e bumbum arredondado. As carnes no lugar certo, diriam alguns. [...]
quarta-feira, 8 de março de 2017
Quem é Mrs. Dalloway?
O filme As horas, estrelado por três grandes intérpretes remete muito mais à todas a mulheres do que aquela que as inspirou, Virginia Woolf.
Um único dia na vida de uma mulher, e neste dia toda a vida dela
E o filme mostra o dia de três mulheres separadas pelo tempo, pelo lugar e pela cultura. O que as une? O ser mulher, esse ser ainda tão envergonhado, parafraseando Adélia Prado.
Vivem nas suas relações de genero, em suas generalidades tão genericas de um cotidiano que também é nosso.
Pensei que ia ficar melhor que isso.
Porque está tudo dando errado?
Virginia escreve sobre Mrs. Dalloway. Kitty lê Mrs. Dalloway. Clarissa é Mrs. Dalloway, só que me NY e em 2001. Se tornou, na verdade, Mrs. Dalloway. Quem é esta mulher Dalloway, afinal?
Vamos encontrando com ela nas esquinas das narrativas entrelaçadas por um roteiro extremamente bem escrito e convodativo.
Uma mulher só é mulher quando se torna mãe
O bolo deu errado.
E as dores sobre as quais não podemos falar vão eclodindo numa erupção lenta e constante. Sabemos que vai ser destrutiva, mas não conseguimos parar de olhar, como um voyeur sádico e megalómano.
Personagens de si mesmas, o cotidiano delas vai se desenhando ante os olhos do espectador que só espera. Sobreviventes do seu mundo se apoiam e apoiam umas às outras. Às vezes.
Eu ia matar minha heroina, mas mudei de ideia. Agora, terei que matar uma outra pessoa
Mas sabemos que ela mata. Mas o que ela mata? Quem ela mata? No filme, ela se mata. Coisa que sabemos do Wikipedia e das primeiras cenas do filme
É um drama. A trilha diz. O entrelaçamanto diz. As narrativas dizem. A história conta.
Todos os fantasmas vieram para a festa
Ela tem a propria vida e a vida dos livros que escreve
Não era o começo. Era a felicidade. O momento.
Fiz isso por você. Fiz isso par você melhorar. Fiz isso por amor
E quem diabos pediu isso? Pelo menos, Leonard volta pra Londres.
Por um momento achei que ia demorar mais, mas mudei de ideia.
Será? Alguém tem que morrer, segundo Virginia Woolf.
Um filme sobre dor, morte, vida, escolhas e coragem. Mas também sobre medos e covardias.
Mas ainda tenho que enfrentar as horas, não?
Todos temos, Richard, todos temos.
sexta-feira, 3 de março de 2017
Uma(s) mulher(es) e tanto: parte 1
Nise - O coração da loucura foi um filme dirigido por Roberto Berliner no Brasil em 2016. Teve como intérprete da psiquiatra Nise da Silveira a atriz Glória Pires. Uma atuação bem morna, a meu ver, mas não é disso que se trata esse post mas de como esse filme ao homenagear essa grande mulher nos inspira a sermos grandes também. O filme começa no retorno da Dra. Nise ao Hospital Nacional psiquiátrico em Engenho de Dentro - RJ, no ano de 1944. A cena de abertura foi extremamente bem escolhida pois simboliza essa luta que ele teve de abrir a cabeça desse universo médico machista e retrógrado que tentou romper. Mas a porta se abre, finalmente, e o filme começa a nos mostrar os horrores do tratamento para doentes mentais até a primeira metade do século XX
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
No boteco
-Posso sentar com você? Claro, senta aí. Essa foi a primeira e ultima vez que se falaram. É um mundo estranho (ou não), mas é o nosso mundo e nunca o tal do "aceita que dói menos" foi mais real pra mim. Enquanto o rapaz sentava, sacava o celular e comia enquanto os olhos só seguiam o que ia na tela, me pus a especular sobre o que conversariamos se a opçao dele fosse mesmo a de sentar com o outro à sua frente e não ao lado do outro na mesma mesa. Piaget chamaria de egocentrismo não trabalahado, eu chamo de desperdicio da existencia, haverá quem chame "normal".
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
Money never in Wall Street
Continuando seguindo o rastro de dinheiro desde a Wall Street de Leonardo di Caprio, vamos nos encontrar na mesma rua com... em uma história que busca vingança e redençao ao mesmo tempp
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Wall Street na Netflix
Entender como funciona essa versão contemporânea de um burgo medieval é tão estimulante como os próprios filmes que o representa. São filmes que nos aproxima de uma realidade tão virtual que quase esquecemos que ela é bem concreta e comanda a nossa vida, ou o nosso lifestyle. Uma rua, uma avenida no mundo todo que concentra as riquezas do reinado enquanto olham pra cima se perguntando como fazer para ir ao outro lado do muro é por si só um personagem. Vamos passear por três obras cinematográfica que utilizam essa rua como cenário, titulo, protagonista para buscar uma compreensão sobre quais tipos de pessoas brilham nos burgos enquanto sonham em entrar na corte e tomar o lugar do Rei
O lobo de Wall Street, estrelado por Leonardo di Caprio em e dirigido por é um desses. A natureza primeira é sempre evocada para nos lembrar ou nos permitir uma desculpa de que os que nos impele é uma certa sobrevivência animal. O lobo do titulo, se junta na primeira imagem de um leão que metaforiza essa selva financeira que é o mercado mundial de capital.
O filme traz o universo competitivo do mundo dos investimentos a partir de uma financeira e de seus corretores. Um, em particular. Seu dono. Jordan. Ele conversa com seu espectador e lhe apresenta em 4 minutos 49 segundos por quê é tão bom ser rico. Quanta droga, bens móveis e imoveis, mulheres e até causas sociais, culturais, politicas e ambientais você pode ter apenas possuindo uma coisa: dinheiro. Bem, as outras horas minutos ele passa nos mostrando como conseguiu isso indo ao lugar no final do arco-iris: Wall Street. Mas tudo isso serve para manter o parque funcionando, para manter os clientes, aumentar as comissoes que é, afinal, o modo do corretor ficar rico. O corretor, não o cliente. Ao cliente, sobra a ilusão da riqueza. E um sistema e tanto, não? O perfil é de um drogado, sociopata e mentiroso, mas divertido, fanfarrão e, claro, rico. São loucos e precisam ser. Mas isso é Wall Street. O que Jordan nos faz conhecer é Long Sland. E ele brilha! 72 mil dólares em 01 mês vendendo "lixo para lixeirios" em ações de centavos de dólares. E ele começa a ter seguidores. E eles eram improváveis! Mas vendiam qualquer coisa a qualquer um. E esse era um bom time para começar uma empresa de investimento financeiro. E a empresa cresce e eles ficam ricos. O cara tem o dom de iludir e ensinar a iludir. Mas o que fazer quando você tem todo o dinheiro que nunca nem conseguirá gastar e nenhum escrúpulo? Was heaven in earth. Até que essa expulsão acontece. Viciado em drogas, viciado em sexo, viciado na adrenalina e no estilo de vida, ele é simplesmente colocado pra fora desse mundo. Um lobo velho vivendo numa reserva florestal? No way! Odiado por muitos, amado pelos seus, sem aceitar um "não" como resposta. O lobo só sai da selva morto ou, pelo menos ferido. E o abatem. E enjaulam. Não só seu corpo, mas sua alma. Quer ser rico? Aprenda a vender
O trabalho do Diretor com as sequências rapidas e os slowmotion torna-o um filme divertido, bem feito e até certo ponto didático. As passagens do tempo e a conexão é fabulosa. O fime começa na metade. Isso torna tudo mais interesante a quem assiste Pois se nunca pensei em corretagem e investimento na vida, isso saiu completamente do cardápio a partir desse filme
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
CRIMES DE DAVID FINCHER
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
FILME EXEMPLAR: GONE GIRL
Gone Girl, no Brasil Garota Exemplar é a história de Amy e Nick. Que nomes mais americanos, não? A marca de David Finch está lá nos fazendo pensar sobre o que escondemos por trás de olhares, estilos de vida, escolhas de decoração. Toda essa perfeição burguesa para a qual nos empurram dizendo que normal é bom, que sensatez é casa de pé direito alto, filhos no curso de inglês e SUV na garagem. Gosto do estilo desse diretor. Essa ideia de "somos todos culpados" é bastante atual. Sem mocinhos, sem bandidos. Homens e mulheres tentando atravessar essa odisseia vivos.
domingo, 28 de agosto de 2016
VIDAS EM JOGO NUM FILME
"The game" é uma resposta à ricos entediados com suas vidas endinheiradas. E começa como todo jogo: um convite e algumas regras. Mas mais importante é a própria regra estabelecida no filme pelos vendedores do serviço: você pode sair quando quiser. Isso gera certo conforto ao jogador. Diferente da vida real, a vida no jogo é uma opção. As ações são entretenimento e tudo é, para dizer o mínimo, intrigante.
Para um lobo de Wall Street, intrigante é uma palavra extremamente motivadora. Por isso, a escolha do lugar social do personagem de Michael Douglas é importante para que a trama seja tão significativa. Uma história pessoal que envolve controle, egocentrismo, individualismo e sucesso deixa entrever que "entrega" a esse tipo de jogo não é exatamente algo que possamos esperar dessa persona.
Mas o convite é feito por alguém próximo, a partir de um jogo de palavras literárias, no dia de seu aniversário como uma surpresa à alguém que não gosta de ser surpreendido.
Temos ingredientes fanstásticos! Temos um filme fantástico?
Bem...aí depende...se você gosta de jogos. Eu considerei um suspense psicológico. Você espera que alguém vá morrer a cada cena e ele não surpreende apenas a Nicholas Van Orten, ele surpreende você. Em como os personagens vão entrando, em como a história vai adensando, em como a narrativa vai se desenvolvendo.
Eu gostei.
E tem a marca autoral de David Fincher. Só isso já vale.
Go for!
Vidas em Jogo (The Game) - 1997. Dirigido por David Fincher. Escrito por John D. Brancato e Michael Ferris. Música Original de Howard Shore. Direção de Fotografia de Harris Savides. Produzido por Ceán Chaffin e Steve Golin. Polygram Filmed Entertainment / USA.
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
RENASCIMENTO EM JOGO NO NETFLIX
O enredo é simples e já vimos em filmes do tipo antes, como Vidas em Jogo (1997) e Clube da Luta (1999). Kyle (Fran Kanz) vive um americano mediano, casado e com uma filha. Ele é gerente de mídias sociais (God! Eu nem sabia que isso podia ser um emprego de verdade) de um banco e sua vida é obviamente mais do mesmo, todos os dias. Mas ele parece bem. Ele não nos parece aborrecido, frustrado, triste, entediado. Tais características aparecem (se bem me lembro) nos personagens que protagonizam os filmes que citei antes.
O início do filme vai mostrando em cenas sequenciais esse cotidiano simplório de Kyle, dia após dia, semana após semana. E é quando entra em cena o amigo "malucão" da faculdade o convidando a viver uma experiência espiritual que irá mudar a sua vida. O "Rebirth"Ele fica reticente, mas curioso e acaba topando.
Então, começa uma sucessão de bizarrices que, vamos dá à mão à palmatória, nos leva numa montanha russa que te fazem até pensar que está à frente de um obra-prima. Ou seja, o filme tem ritmo. Não o achei tedioso, mas o achei chato. Como pode isso? Nem eu sei. Mas acho que essa é toda a questão posta no filme.
Veja: o que o amigo de Kyle propõe é libertá-lo da Vida Zumbi que ele leva e nem sabe, é faze-lo sair dessa Dança Zumbi que fazemos todos nós pequenos-burgueses enjaulados. Mas no final é mais do mesmo.
Uma das regras dessa espécie de culto é que você pode sair a hora que você quiser, mas quando ele pede pra sair (e eles "deixam"!) o que você ver é uma pessoa acuada em sua própria casa, chantageado pelas coisas que fez nesse curto espaço de tempo (sim, pq nos dá a impressão de que ele não ficou lá nem até a hora do almoço) e recrutado à usar sua expertise em mídias sociais para atingir mais pessoas. Pessoas para quem a experiência Rebirth com todas as suas frases e gritos de guerra autoajuda podem até se beneficiar. Mas não Kyle e não certamente os amigos dele que estão nessa por dinheiro, numa vida tão Zumbi quanto a outra que levavam.
"Troque sua Vida Zumbi pela nossa Vida Zumbi" deveria ser o slogan. Mas pode nem ser isso por que o filme não traz nenhuma conclusão antes do seu epílogo. O filme tem epílogo, mas não tem fechamento. Pode ser um limite meu, ignorância visual, acadêmica, sei lá. Mas três coisas ficaram para mim ao assistir esse filme: é só mais do mesmo, não é um suspense psicológico e me deu uma puta vontade de assistir Vidas em Jogo novamente. Talvez esse seja o único mérito deste filme na tarde de hoje.











