sexta-feira, 3 de março de 2017

Uma(s) mulher(es) e tanto: parte 1

Nise - O coração da loucura (2016), Escritores da liberdade (2007) e Além da sala de aula (2011). O que têm em comum? São biográficos, são sobre mulheres e são ações contra um sistema excludente, branco e masculino. São anti-patriarcais. Dá pra dizer mais? Sempre dá. Eles têm ainda um traço comum: nos dão esperança. Esperança que existam pessoas boas, esperança que a Luz possa ter algum ganho sobre as Trevas e um lembrete permanente de que estas existem. É isso: essas obras são um lembrete de que estamos cercados, mas que existem pessoas boas que não esmorecem diante de tantas pessoas ruins e que nos inspiram, a nós, esses, como eu, que não são nem da Luz e nem das Trevas que não têm a força para optar por um lado e ficam só na torcida para que um deles vença. eu sou da torcida da Luz. Pelo menos isso, eu ainda consigo







Nise - O coração da loucura foi um filme dirigido por Roberto Berliner no Brasil em 2016. Teve como intérprete da psiquiatra Nise da Silveira a atriz Glória Pires. Uma atuação bem morna, a meu ver, mas não é disso que se trata esse post mas de como esse filme ao homenagear essa grande mulher nos inspira a sermos grandes também. O filme começa no retorno da Dra. Nise ao Hospital Nacional psiquiátrico em Engenho de Dentro - RJ, no ano de 1944. A cena de abertura foi extremamente bem escolhida pois simboliza essa luta que ele teve de abrir a cabeça desse universo médico machista e retrógrado que tentou romper. Mas a porta se abre, finalmente, e o filme começa a nos mostrar os horrores do tratamento para doentes mentais até a primeira metade do século XX

"O meu instrumento é o pincel, o seu é o picador de gelo"

Os personagens desse drama real vão nos sendo apresentados em sua forma mais crua enquanto a Dra. Nise adentra o edifício do hospital. Esquizofrênicos, diagnosticados como "doentes crônicos incuráveis" objetos de experimentos sádicos de médicos ignorantes que só queriam "curar" sem se perguntar, sem perguntar, sem cuidar.

"Pacientes precisamos ser nós, eles são clientes"

Arte-terapia surge dessa inclinação quase natural para a parceria e no lugar de "doentes crônicos" o mundo os reconhece como "grandes artistas brasileiros", na fala do personagem Mário Pedrosa.

"Ele começa com essas pinceladas curtas e depois ela vai ganhando o quadro todo. Ele as chamou de pixel"

Criavam arte ao mesmo tempo em que davam lógica a seu pensamento analógico e desordenado. Se curavam sem erradicar nem afeto, nem emoção, nem a própria doença. Conviviam. E os maus? Estavam lá. Torcendo para que desse errado, boicotando através do sistema, assassinando ideias, ações e motivações. Tentando quebrar a confiança, a esperança, a motivação dessas pessoas especiais. Especiais por serem mulheres, por serem maternas, por serem cuidadoras.



Violência das gangs e tensão racial em Long Island, em New York State é o cenário de onde vai surgir outra grande mulher. Mas isso é papo pra outro post, pra outra hora, pra outra conversa. Uma conversa de mulheres sobre mulheres para pessoas que se dedicam á simplesmente ser Luz. 

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