quarta-feira, 8 de março de 2017

Quem é Mrs. Dalloway?

O filme As horas, estrelado por três grandes intérpretes remete muito mais à todas a mulheres do que aquela que as inspirou, Virginia Woolf.

Um único dia na vida de uma mulher, e neste dia toda a vida dela

E o filme mostra o dia de três mulheres separadas pelo tempo, pelo lugar e pela cultura. O que as une? O ser mulher, esse ser ainda tão envergonhado, parafraseando Adélia Prado.

Vivem nas suas relações de genero, em suas generalidades tão genericas de um cotidiano que também é nosso.

Pensei que ia ficar melhor que isso.
Porque está tudo dando errado?

Virginia escreve sobre Mrs. Dalloway. Kitty lê Mrs. Dalloway. Clarissa é Mrs. Dalloway, só que me NY e em 2001. Se tornou, na verdade, Mrs. Dalloway. Quem é esta mulher Dalloway, afinal?

Vamos encontrando com ela nas esquinas das narrativas entrelaçadas por um roteiro extremamente bem escrito e convodativo.

Uma mulher só é mulher quando se torna mãe

O bolo deu errado.

E as dores sobre as quais não podemos falar vão eclodindo numa erupção lenta e constante. Sabemos que vai ser destrutiva, mas não conseguimos parar de olhar, como um voyeur sádico e megalómano.

Personagens de si mesmas, o cotidiano delas vai se desenhando ante os olhos do espectador que só espera. Sobreviventes do seu mundo se apoiam e apoiam umas às outras. Às vezes.

Eu ia matar minha heroina, mas mudei de ideia. Agora, terei que matar uma outra pessoa

Mas sabemos que ela mata. Mas o que ela mata? Quem ela mata? No filme, ela se mata. Coisa que sabemos do Wikipedia e das primeiras cenas do filme

É um drama. A trilha diz. O entrelaçamanto diz. As narrativas dizem. A história conta.

Todos os fantasmas vieram para a festa

Ela tem a propria vida e a vida dos livros que escreve

Não era o começo. Era a felicidade. O momento.

Fiz isso por você. Fiz isso par você melhorar. Fiz isso por amor

E quem diabos pediu isso? Pelo menos, Leonard volta pra Londres.

Por um momento achei que ia demorar mais, mas mudei de ideia.

Será? Alguém tem que morrer, segundo Virginia Woolf.

Um filme sobre dor, morte, vida, escolhas e coragem. Mas também sobre medos e covardias.

Mas ainda tenho que enfrentar as horas, não?

Todos temos, Richard, todos temos.

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