Melhor que Highlander que precisava lutar contra seus iguais o tempo todo, melhor que Drácula (e seus continuadores) que precisavam de sangue (Eca!) para continuar forte e belo, nossa personagem só precisa se esconder de modo discreto do seu Governo para não virar um experimento. Vidinha boa, hein? Bom, aí você vai ter que ver o filme e descobrir por que, com todas essas vantagens, tudo o que Adaline queria era envelhecer. E se não quiser saber mais antes de ver, então sugiro que pare por aqui.
O filme em si eu classificaria de "boinho". Precisei assistir duas vezes para entender que ele não tinha nenhum UAU por que não era a proposta. Numa linha mais para Benjamim Botton do que para Crepúsculo, a linha aposta em uma possibilidade científica admíssivel. Afinal, qualquer um pode sofrer um acidente de carro, cair num rio gelado, morrer de hipotermia em 30 segundos, ter o coração desfibrilado por um raio de sei lá quantos mil amperes e desacerelar em nível de DNA nosso envelhecimento natural. E então a ação acaba e o que vemos é uma mulher tentando viver como se nada tivesse acontecido. Mas isso é impossível por que sua juventude começa a "dar na vista"
Suas tentativas de levar uma vida mais que normal a leva para Paris onde conhece um jovem que se apaixona pela beldade a ponto de lhe pedir em casamento. Mas ela foge de novo.
E então, outra percepção da personagem é que estaria fadada a solidão. Sua tentativa tão humana de presença é aliviada por gerações de cachorrinhos que ela vai perdendo ao longo de 60 anos dessa incrível história. A manutenção da raça é uma tentativa de buscar essa presença tão difícil para seu estado. A ideia de envelhecimento juntos aqui ganha uma dimensão muito maior que a trazida por Homero no A odisseia por que nos conduz a pensar no nosso entorno: nós envelhecemos, mas nossos amigos, filhos, pets também junto conosco. Isso nos dá essa presença, esse sentimento de pertença, de normalidade e equilíbrio necessários à jornada. É evolutivo; é natural.
O que aconteceu com Adaline foi um fenômeno natural que a desnaturalizou, mas e os procedimentos cirúrgicos? E os photoshops? Eu fiquei admirada ao ver Tom Cruise no Missão Impossível 5. Parecia que ele estava vivendo a incrível história de Adaline!
O destino avisa que é hora de parar de fugir e outro acidente põe fim a essa incrível história. De novo um narrador nos informa os acontecimentos no corpo de Adaline na medida em que seu organismo, em um tranco, reinicia seu curso natural. E outro fenômeno natural desta vez a naturaliza.
As cenas finais quando Adaline descobre o que o narrador já havia nos contado são especiais na recorrente temática "eterna juventude". O fio branco pairando em suas mãos perfeitas lhe indicando que voltara a seu curso normal nos dá uma dimensão da desimportância da paranoia em torno do corpo perfeito, dos tratamentos anti-rugas, anti-natureza. Nossa natureza é envelhecer. Se a alma não for junto, então é como disse Adaline esta tudo "perfeito"!









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