Então. Você está naqueles momentos que em que
fica com a caneca de café rolando nas mãos com preguiça de começar o dia e o
notebook está ali á mão. E é quando você pensa "Que tal um bobinho para
esquentar os neurônios?”
E foi assim que meu dia começou com “This is 40”,
um filme dirigido por Judd Apatow, lançado em 2012 pela Universal com Paul Rudd
e Leslie Mann protagonizando o casal Pete e Debbie. Uma participação mais que
especial de Melissa MacCarthy é a cereja de um filme despretensioso e
deliciosamente divertido no papel da histérica Catherine, mãe do namoradinho da
filha mais velha de Debbie. Por que o título me chamou a atenção é bem óbvio:
eu tenho 40. Apesar disso não vivo em negação como a personagem do filme ou
insegura com os problemas que esta nova fase pode trazer. Tá. Só um pouquinho.
“Eu lembro quando fiz 40, e num piscar, lá estava
eu, chegando aos 90.”
Qual seria a solução? Não pisque.
A história gira em torno da entrada nos 40 anos
de Debbie e Pete que fazem aniversário na mesma semana. Fica claro desde a
primeira cena os problemas enfrentados por Debbie com essa nova identidade
etária e da diferença que isso opera em Pete que parece não se importar; ele
não faz nenhuma referência ao fato de está fazendo 40 anos, nem positiva nem
negativa. Então, a história gira mesmo em torno dos 40 anos de Debbie. A
pergunta de fundo é mesmo “O que é esses “enta”? O que significa entrar nos 40?
Devo dizer que não há como não se reconhecer (NOS
reconhecer!) em algumas situações tanto particulares, como de casala, de pais
ou de amigos.
E aí eles vão viajar. E tudo fica bem.
“Por que brigamos? Quando brigarmos vamos lembrar desse momento?”
Eles não vão lembrar. Nós não nos lembramos.
Então, eles voltam. E eles estão em sintonias
diferentes.
“Somos como sócios num negócio”
E as crianças, nossos filhos nos ensinam quando
nos espelham. E nosso retrato é tão ou mais que o de Dorian Gray. Onde fomos
parar? Em algum lugar entre os 20 e os 40 nos perdemos. E lá vamos pegar carona
com Proust em busca do tempo perdido.
A maternidade nos tira tempo, beleza, sono,
tranquilidade e até a capacidade de perceber que está nos tirando tais coisas.
Talvez por que tirando estas nos dá outras e as outras são tão importantes como
estas. Será que não cabem todas no nosso “bolso” mental? Dá-nos, por exemplo,
uma vida de entendimento mais complexo, de compreensão humana e valor existencial
que nos torna mais e mais humano. Trocamos nossa aparência pela essência e isso
é uma coisa boa. E isso Debbie percebe, junto com a família.
É tudo tão assustador como se você não tivesse a
menor ideia de onde pisa e ainda assim tem que continuar a fazer o caminho.
E aí é que tudo se resolve. Por que no filme,
como na vida, tudo, no fim, se resolve.
Um filme voltado ao entretenimento com garantia
de riso e frases realmente hilárias, mas que nos convida (nós pessoas dos “enta”)
a repensar o que importa e ser conceitualmente feliz.






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