Na trilha de Sevenwaters, três narradoras - Sorcha, Liadan e Fainne - três mulheres, três histórias envolvidas em um só destino: a preservação do sagrado.
Cada uma em seu momento histórico, com suas escolhas (que também consistia, às vezes, em não ter escolha!), foram no curso do tempo fortalecendo suas habilidades e seus espíritos através de gerações. No livro 2, por Niamh, filha de Sorcha, irmã de Liadan e mãe de Fainne, é possível vislumbrar a realidade feminina mais oprimida, mas ainda assim quase em toda a série são elas a comandar a Roda do Tempo. Sempre. Estranhamente, comandam o seu destino ao lado de homens que as deixam realizar suas escolhas sem grandes interferências, algo inusitado se pensarmos o suposto período histórico privilegiado pela autora.
E essa é a grande falha da trilogia: esta suposição temporal.
Para quem acostumou com o cuidado histórico de Marion Zimmer Bradley, senti uma certa ausência de contexto. O cenário não nos é dado historicamente, sujeito à imaginação do leitor, a trama poderia acontecer até na Ilha do Tesouro e não faria diferença. As guerras são entre os personagens, como se estivessem numa bolha em um tempo e lugar qualquer entre a Irlanda e a Inglaterra. É uma falha imensa em minha singela opinião. Afinal, quem busca Literatura de Época, quer saber sobre o período que está lendo. Então, ela ganha ares de Literatura Fantástica ao trazer esses mundos mágicos também sem muito contexto. Podemos inferir alguma coisa, no colocar entre 100 ou 200 anos depois do Cristo romano. Pelo cotidiano rude, a maneira como se vestem, a presença vulgar de padres e conventos ao lado de seres encantados e uso de magia, curandeiros e guerras religiosas podemos inferir algo, mas não é possível precisar. O que ocorria na Bretanha, Na irlanda e na Europa enquanto as três mulheres narravam suas histórias? Quais os efeitos dessas ocorrências no mundo mágico que as rodeava? Quão velha era a velha tradição da qual tanto falavam e lutavam para preservar? Difícil dizer pela ausência de um cuidado histórico, imprescindível à Literatura de Época. O que é uma lástima por que a história das mulheres ligadas a Sevenwaters é fascinante. Uma das coisas mais elementares como misturar eventos históricos com as narrativas das personagens trariam aquela possibilidade de percebermos as mulheres reais que me encanta neste tipo de literatura. Como Marion fez, Como Bram Stocker faz e até como Shakeaspeare fez. Pois sempre tivemos escritores que, buscando narrativas ambientadas em um tempo distante do seu, tentaram compreender as representações do mundo em seus processos historicamente construídos. Um bom entretenimento. Mas só!
Acredito na dimensão educativa da literatura e nesse essa dimensão simplesmente não existe. Mas é uma boa história com um final até imprevisível e feliz. E quem me conhece sabe: eu adoro finais felizes! Então, tá valendo! #eurecomendo

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